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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008 Paris em preto e branco
Vários fotógrafos registram ou resgistraram Paris em preto e branco. Tive a oportunidade de ver a ciadade de perto e constatar, a olho nu, um pouco dessas nuances da textura urbana. Agora me veio a vontade de palpitar um motivo da urbe ficar tão bela em imagens duotone. A milenar Paris, sob um céu cinza, emana um amarelo desbotado, um bege quase morto, um "foggy" constante. Apreciá-la do alto dá uma sensação de monumentalidade, mas ao mesmo tempo de caducidade, ou seja, de algo tão antigo, que parece prestes a se desmoronar. Bem, essa é uma das idéias de que compartilhei com Nelson Brissac Peixoto. No entanto, isso parece visível também em sua plasticidade. Construções, monumentos seculares, ruas, com excessão do verde das árvores, se misturados em uma palheta de tintas, resguardam o bege-cinza-amarelo claro. No chão, com seus cafés, bistrôs, lojas, parques, carrosséis, a tonalidade muda. Mas sobre o que comento, é de sua vista panorâmica. Por manter tons de cinza e amarelo fraco em sua paisagem (sob céu nebuloso), as fotografias em preto e branco parecem dizer muito sobre Paris. O contraste dessas imagens, fugindo do amarelado sem vida, compõe cenários belos da atmosfera pasisiense, e, por que não dizer, condizendes com o que se vê ao vivo. Além de, claro, evidenciar o clássico, a historicidade, a impressão de eternidade ou de passado de uma foto em preto e branco. Paris em preto e branco é quase uma metalinguagem. Não quero, veja bem, dizer que não há cores ao apreciá-la. A Paris que vi, sem sol e do alto, era difusa em seu bege-cinza-amarelo desbotado. E quase não refletia cor do meu vestido violeta. Posso afirmar que Atget, Bresson, mesmo no passado, foram felizes em suas fotografias, que ainda hoje comunicam sobre a França. Erguida no tempo e no clássico de suas vistas, a capital francesa é viva de cette façon. ebulições ( ) Sexta-feira, Dezembro 21, 2007 O que seu blog e outras pessoas perguntariam pra você.
E o que você responderia... correndo. Como vai Elane, tudo bem? Tudo. Tudo indo. Lembrou do Blog, né? Quais as novidades? A novidade é que agora tô brincando de montar casinha. Não daquelas de mentira. Das de verdade. Vai casar? Casou? Não. Ainda não. Ah é? É. Ei, tenho que ir. Muita coisa pra fazer. Tá bem. Manda notícias... Vamos conversar mais depois. Sim, sim. Outro dia nos falamos, é que tenho que correr. Abraço pra ti. Outro. Té logo! -------------------------------------------- Diiiiiiiiiiiiiiiiz, Elane! Diiiz! Como vai? Tô bem. Já já viajo. Ah, é? Pra onde, mulé? Recife. Olha! Legal. Passear? Não, não. Estudar. Ah. Massa! Mestrado? É. Em quê? Comunicação. Ei, depois te explico melhor. Vou ter que ir mesmo. Au revoir! ;) Blz. Tchau! (Blogs e pessoas compreensivos ou curiosos? =p) ebulições ( ) Segunda-feira, Outubro 29, 2007 Ando tão à flor da pele,
Qualquer beijo de novela me faz chorar Ando tão à flor da pele, Que teu olhar "flor na janela" me faz morrer Ando tão à flor da pele, Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser Ando tão à flor da pele, Que a minha pele tem o fogo do juízo final Um barco sem porto Sem rumo, sem vela Cavalo sem sela Um bicho solto Um cão sem dono Um menino, um bandido Às vezes me preservo Noutras suicido Oh, sim, eu estou tão cansado Mas não pra dizer Que não acredito mais em você Eu não preciso de muito dinheiro Graças a Deus Mas vou tomar aquele velho navio Aquele velho navio Zeca Baleiro - Flor da pele ------- Às vezes, as músicas falam mais. ebulições ( ) Segunda-feira, Outubro 01, 2007 A ti, que me fazes falta
Não, não me venhas falar sobre o porquê de não existires mais. Depois que fostes, fica tudo muito à mostra... lábios, maçãs do rosto, queixo... tudo parece falar mais do que deve. Lábio superior perde a carapuça, queixo perde a moldura, maçãs ficam sem casca. Em todos esses anos, sabias que me agradavas por demais. No entanto, trataste de dar-me adeus em um sábado comum, semana depois de ir dar-te um trato merecido na barbearia. Não venhas, agora, exigir-te uma face madura, bem encorpada. Tua textura áspera e sedutora se rendeu à crueldade da lâmina. Não há mais nada que possas fazer, a não ser pedir que o tempo seja benevolente com tuas raízes e que te faça crescer rapidamente, de espinhos a pêlos robustos. Espero que, em tua nova versão, querida barba, tu não percas teu lado sedutor, de falas recônditas. Renasças para ficar. ebulições ( ) Quarta-feira, Setembro 19, 2007 Ctrl C + Ctrl V
Na vida, em situações, inclusive nas profissionais, exigem de você criatividade, rapidez, sensatez e outra série de coisas. O mais curioso é que se sua vida é trabalho, de que fontes - além do Google - você irá buscar novas idéias, outras motivações? E se para ter criatividade, eu preciso ler livros, com que tempo? Os fins de semana mal dão pra quebrar aquela rotina de "acorda às 6h da manhã". Uma coisa é certa. Por mais que você morra de trabalhar [isso vale não só para os que trabalham usando a cuca], lute por sua satisfação pessoal. Nem que ela exija um tempo que você não tem... por já copiar e colar demais os dias. Tenha a sensação de que constrói algo em sua vida. [um post auto-ajuda? =)] ebulições ( ) Quinta-feira, Agosto 30, 2007 E eu estava longe...
Falam dos animais como se eles não soubessem de nós, ou como se tivessem à margem de nosso bem-estar sentimental com o mundo. Quando morrem, “ah, são apenas animais, não precisa toda essa comoção...”. Discordo. Os “homens” que pensam assim, certamente, não tiveram animais como companheiros, como irmãos, como filhos, como amigos. Uma amiga, companheira, de cama, de mesa, de aconchego de braços e pernas, deixou-me. Talvez por já estar cansada dos seus largos e experientes dez anos ou, simplesmente, por ter chegado a hora de dar seu último suspiro e “miau”. Ela se foi quando eu não pude olhá-la a última vez, quando eu estava distante há mais de semanas dos seus pêlos sedosos ao dormir. Emociono-me cada vez que lembro dela. É um vazio, um buraco gigante em casa e no peito. Nunca pensei que uma volta de viagem pudesse me parecer mais dolorosa do que essa. Já não bastasse a tristeza de minha tia falecer no dia do meu aniversário e eu estar distante, minha companheira peluda fiel, robusta, divertida, carinhosa (e também carente de atenção) também se foi dias depois. E eu estava longe. Deus ou sabe-se lá o quê preferiu que eu estivesse longe e não visse como as coisas aconteceriam de perto. Não pude sentir a tristeza em tempo real. Só pude sentir um clima, um vento estranho do outro lado do mundo, para que quando eu chegasse, o silêncio de casa me pegasse de jeito no peito. ebulições ( ) Terça-feira, Agosto 21, 2007 Antes de sair o diário de viagem, vejam algumas fotos em
http://www.flickr.com/photos/pvnutt ebulições ( ) Quinta-feira, Julho 12, 2007 Terça-feira, Maio 08, 2007 I love NY
Certo dia vi alguém, que eu diria "cidadã do mundo", usando uma camiseta com a frase "I love NY". Sem ser vista, fiquei olhando para a "cidadã" e tentando captar o porquê da camiseta. Despretensão? "Ah, foi a primeira que vi no guarda-roupa e resolvi usar"? Não, diria que não. Embora tenha seu estilo urbano, contemporâneo, com toques alternativos (usando prováveis definições "orkuteiras"), diria que usava a camiseta por outros ou mais motivos. Não motivos tão políticos, mas de repente, por um sentimento de compaixão aos americanos, uma sutil apologia a Michael Moore, talvez. "Odeio Bush, mas amo a América". Imagine aí o poder do que você leva escrito no peito pode causar nos outros. As camisetas com frases sempre intrigam. Ou você já não viu uma, algum dia, em que tinha uma frase que começava na frente e se completava nas costas de alguém? E ficou torcendo, doido pra que a pessoa se virasse e você ler o resto, hein? E as tatuagens com palavras ou frases... Eu sempre me pergunto por qual motivo essas frases e nomes foram parar ali, na pele. Sobre o que quero falar, nesses meus questionamentos sobre os "escritos do peito" e da pele, parece se tratar da ideologia (ou ideologias) que está aí embutida. Devo ter uma, duas ou três camisetas com palavras ou frases. E digo: tem delas que mal uso ou não uso de jeito nenhum por achar que me rotulam de algum modo e me fazem pertencer a determinadas tribos. Enfatizo aqui que não sou contra o uso delas, mas, algumas frases ou títulos são fortes demais ou dizem muito sobre a gente. Algumas demonstram apenas coragem, apologias, gostos. Mas sempre dizem, não calam. Não se enganem. Pra completar, hoje estou usando uma das minhas poucas com escritos e um colega chegou perto, parou, leu junto à estampa de uma foto do Mussum da minha camiseta: "Mussum Forévis". E disse sorrindo: "Mas olha... Eu pensava que era o Matin Luther King... Você que é toda política." Eu sorri e uma colega quis falar por mim: "Mas minina, não te dão a chance nem de ser irreverente uma vezinha". Desculpem, mas não tinha nem uma nem outra intenção. Muito menos me acho "política". Só gostava (gosto) do Mussum. ebulições ( ) Segunda-feira, Março 26, 2007 Luz, câmera, ação
Meu nome é João, trabalho na empresa SGL. Vou contar pra vocês um caso que aconteceu comigo. Eu fui fazer uma instalação num botijão de gás G-400 e notei que o gás tava vazando. Eu tentei apertar a 'valva', apertei, apertei e nada (plano de detalhe nas mãos de seu João demonstrando). Então, quando cheguei na empresa, contei pra supervisão o que tinha acontecido comigo e eles me deram uma "valva" de retenção nova. Diretora: Seu João, vamos repetir essa última frase: Quando cheguei na empresa, me deram uma "válvula" e o problema foi solucionado. Vamo lá? Quando cheguei na empresa, me deram uma "valva" nova e o "probrema" foi solucionado. Diretora: Calma, Seu João. Você consegue. Vamos fazer de novo, só essa última parte. Vamos lá: quando cheguei na empresa, me deram uma válvula e tivemos a solução. Certo? Quando cheguei na empresa... (Seu João cabisbaixo, engolindo o pouco que restava de saliva). Ai, espera um poquim. Diretora: Claro, seu João, se acalme. Não precisa ficar nervoso. Quer um pouco d'água? Não, brigado. Diretora: Pois vamos, mais uma vez. Quando cheguei na empresa, me deram uma válvula de retenção e tive a solução do pro-blema. Quando cheguei na empresa, me deram uma valva de retenção e o probrema foi so... sol... solucionado. Ai, meu Deus. Desculpa. Diretora: Seu João, você tá envergonhado, é? Não fique assim. Todo mundo tá aqui pra ajudar. Não tem motivo de ter vergonha, tá? Vamos só mais essa vez. Quando cheguei na empresa, tive a solução, pois me deram uma válvula nova. Quando cheguei na empresa, tive a solução, pois me deram uma... valva... nova. Diretora (ainda um tantinho insatisfeita): Ok, tá bom. Brigada, seu João. Desculpa, pessoal. Desculpa aí. (Sorriso tímido) A equipe de filmagem agradece ao seu João e ele se despede. Ele foi se retirando, tacanho, nervoso, miúdo, suando frio certamente e, pedindo desculpas repetidas vezes. Dava dó. É por essas e outras que prefiro ficar longe de set de filmagem, pois "o coração não sente o que os olhos não vê". ebulições ( ) Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007 Dizem que o ano começa depois do carnaval. E não é que senti que isso se mostra da mesma forma que pós-carnavais passados? Vim a essa página, encontrei comentários de conhecidos e desconhecidos, senti um cheiro de novo - de recomeço -, mas ao mesmo tempo, bastante familiar. Alguns corações me visitaram nesse carnaval. Corações solitários talvez. Caíram nesse espaço de pára-quedas, por passatempo, ou, sei lá, por consolo, por se embreagarem numa lasca de tempo virtual. Despertaram-me um gosto de "o ano começou. Agora sim". E eu gostei desse gosto. De novo.
ebulições ( ) Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007 Falaram-me de dor assim, mais ou menos:
"É sensivel que só. É muito amargurada. Por isso vive de sentir dor... dor interna. Do ser dela. Me lembra macabea... que pedia aspirina aos outros... por sentir dor... dor que ela não sabia onde". ebulições ( ) Terça-feira, Janeiro 23, 2007 Quarta-feira, Janeiro 03, 2007 Fora uma cena de filme. Não que me remetesse especificamente a alguma cena de Magnólia e sua pluralidade de significados. O trânsito estava lento por algum motivo e o tempo chuvoso. Pára-brisas acionados. Meu carro se aproximou de dois carros parados atrás de uma moto e um homem estendido no chão. Pista molhada, pingos no corpo e na lataria. Assim que passei pela cena, pivor da lentidão dos carros, a chuva cessou bruscamente, como se me quisesse deixar pensativa, divagando em uma música triste, ou mesmo na secura dos dias.
ebulições ( ) Quinta-feira, Dezembro 07, 2006 Ontem, devaneando ao dirigir, observava um casal que estava dentro de um carro ao lado. Me fascina olhar os casais - os que parecem casados principalmente. Estão ali, os dois, quase imóveis. Apáticos? É uma pergunta recorrente ao olhá-los. Pareciam voltar das compras. E pela hora da noite, aparentavam não ter filhos. Arriscaria também dizer que tinham pouco tempo de união - oficial, digamos assim.
Muitas perguntas... pensamentos... Conversava comigo mesma. São leais? Ele parece já conhecer todos os trejeitos dela. Como dorme, como come, como o chama para almoçar. E ela talvez pense se ele está achando a relação fria, sem gosto, sem pimenta. De repente, ela faça coisas para o agradar. Alguns quitutes, quem sabe? A barriga dele parece já grandinha. Vão fazer sexo antes de dormir? Ou vão chegar à casa e cada um vai virar para um lado, até adormecer? Vão conversar sobre coisas da casa? Ou ele vai dizer: "amanhã conversamos sobre isso"? Ela vai pôr uma camisola preta de seda? Ou aquela que usa no dia-a-dia mesmo? Ele vai pedir à ela uma massagem? Ou ela vai fazer aquele sorriso de quem quer um agrado também? Deixaria muitas outras perguntas me levarem sem resposta, até que eles chegassem à casa e eu também. Mas fui acompanhada por devaneios - alguns do tipo bem voyeur. E outros, muitos outros casais - casados - me deixarão com pensamentos semelhantes. Até que um dia, quem sabe, eu responda por mim mesma - empiricamente - alguns deles. ebulições ( ) Segunda-feira, Novembro 20, 2006 Um dos grandes prazeres da vida é estar rodeado de pessoas que acreditam em um projeto e "fazem acontecer". Obrigada à equipe DeVERcidade 2006 que, apesar dos acidentes de percurso, pôde reservar o espaço "Entre o verde e o amarelo" (foto-instalação) para publicarmos nossas imagens. E ainda muito mais obrigada à Camila, Fava, Ju e PV, que adocicaram essa gostosa experiência. Pequena, primeira, com falhas, mas inesquecível.
Fica o gosto de "quero mais". [para ver fotos: aqui e acolá] ebulições ( ) Quarta-feira, Outubro 18, 2006 Ao lado dos pesares, há as levezas.
Ao lado dos bons, há os maus. Dos bens, os males. Ou vice-versa. Quase um suspiro. Na sensação de que mais momentos tranqüilos superem os tensos. ebulições ( ) Quarta-feira, Agosto 23, 2006 Tem horas que sai tudo ou quase tudo como a gente desenha na mente. Alguns chamam de premonição, previsão, dentre outros derivados.
Só sei que, dessa vez, só errei a cor da roupa. Será que um dia viro expert e acabo ganhando dinheiro com isso? ebulições ( ) Terça-feira, Agosto 22, 2006 Ele choca e conquista. Daquele tipo que assusta, à primeira vista, mas, quando você conhece realmente, vê que se trata de um cara divertido, pra cima, mexendo nos humores de todos à sua volta. Mas estou a falar dele agora porque fui chocada de outra forma. Vi-o morrendo, de um ataque no peito, diante de uma platéia. E depois, aquele burburinho toma de conta de todos os lugares onde ele é conhecido. O pesar da notícia abalava. Derrubava as expressões da face, feito efeito dominó. Tinha 23 anos.
******************* Outra coisa foi o curso de Espanhol Zegzi, onde uma companheira de trabalho minha estudava. Era daqueles cursos bem de classe-média-alta, perto ali do Náutico, quase beira-mar. O que me chamou atenção foi o nome do curso e o fato de ela estar feliz o fazendo, mesmo não ligando ou nem se dando conta de que ali era um ambiente elitizado. Talvez um número restritíssimo de alunos e todos com seus "privilégios". As paredes do curso eram verdes, dos claros e relaxantes. ebulições ( ) Quarta-feira, Agosto 16, 2006 Por que a sensação de alívio, por mais trôpega, ofegante, revigorante e até mesmo recorrente que seja, mais incomum e desconsertante parece? Somos seres eternamente tensos?
ebulições ( ) Sexta-feira, Agosto 11, 2006 "... aquele que ama, que odeia, tem necessidade de gritar a sua paixão à face do mundo. De há muitos séculos a esta parte os homens esperavam o momento em que viriam a poder dizer abertamente 'amo-te' ou 'merda'''.
Gisèle Freund ebulições ( ) Domingo, Agosto 06, 2006 Sexta-feira, Julho 28, 2006 As frases de rodapé do contracheque são sempre hilariantes. Mês de julho:
"Eu vou extinguir o custo da superficialidade das análises e decisões". Ui! ebulições ( ) Terça-feira, Julho 04, 2006 Cabeça e orelhas grandes, olhos claros, corpo ralo, preto, minguante, pedinte... Fitei-o como se visse nele a minha mesma espécie, um dia passada, talvez. Mas ali ela estava incorporada naquele pequeno e faminto gato, que não conseguira um pedaço de carne. E mesmo fraco, exalava vida, alma... de outras vidas.
ebulições ( ) Sexta-feira, Junho 23, 2006 Quarta-feira, Junho 07, 2006 Quinta-feira, Maio 18, 2006 Quarta-feira, Maio 03, 2006 Ontem falou-se no almoço.
Mas falou-se justamente sobre o falar e o silêncio. Falou-se que ele, o silêncio, entre nós, é sinônimo de intimidade. Quanto mais se fala e se procura assunto com outrem não-íntimo, é porque nos incomoda o silenciar contigo, com ele ou com aquela. É como se não falar fosse só para quem nos pode ver por completo, ou para quem pode ver uma parte mais ao interior, ou, para quem, ''simplesmente'', compreenda a fala do silêncio. Parece que o silêncio fere, não sei. Na verdade, ele fere mesmo, como estaca no peito. Mas depende. Então se tu silencias, machuco-me? Ou se eu silencio, machuco-te? Eu silencio. Tu silencias. Ele silencia. Nós silenciamos. Vós silenciais. Eles silenciam. Silenciamos sim, como criminosos. Às vezes mais criminalmente que outras vezes. Somos difíceis, sim, de relação social. Muitas vezes, por ser de nós mesmos calarmos mais, por timidez talvez, ou falarmos mais, por extroversão. Jung já fazia esses paralelos. No entanto, se tu parlas em demasiado, não subjugues a linguagem muda, a introspectiva (ou o nome que te convier). Porque seja no almoço, no jantar, no café ou na festinha, tua prosa pode ferir-me e fazer-me falar por bons modos. Se não te incomodas, renuncia-te ao meu silêncio, sem querer ferir. In verbum. ebulições ( ) Quarta-feira, Abril 26, 2006 Pela janela, alguém surge.
Pela janela, eu ouço tua história e conto a minha. Pela janela, alguém dá tchau. Pela janela, perturba-me. Pela janela, acompanho tua novela, assisto ao teu filme. Pela janela, escrevo meu roteiro. Pela janela, aguardo uma resposta. Pela janela, escuto susurros, gritos. Pela janela, mostro-te minhas cenas. Pela janela, observo calada. Pela janela, troco silêncios, figurinhas. Pela janela, descubro abrigo. Pela janela, encontro-te nas entrelinhas. Pela janela, tu és 1/4, 1/3, 1/2 do meu dia. Pela janela, abro janelas dentro de janelas de janelas... ebulições ( ) Terça-feira, Abril 25, 2006 Domingo, Abril 23, 2006 Sábado, Abril 15, 2006 Terça-feira, Abril 04, 2006 Dizem que mineiro...
...é alto e educado. ...toma café na padaria. ...adora namorar em drive ins. ...gosta de andar de carro velho. ...tem um sotaque tremendo. ...diz que cearense é zuador. ...topa umas aventuras. ...bebe e come não só quieto. Arre, uai. ebulições ( ) Terça-feira, Março 28, 2006 Sexta-feira, Março 17, 2006 Sexta-feira, Março 03, 2006 Sexta-feira é dia de festinha interna, de descanso, de alívio, de alma e de mãos lavadas.
Nos locais de trabalho, o espírito se exterioriza na liberdade dos uniformes, nas vestes à paisana, no descompromissozinho de dizer "hojé é sexta, relaxa!", nos sonzinhos e nas bisbilhotadas em sites de humor, fotologs, orkut... Sexta é dia de combinar a farra do sábado, ou mesmo de marcar a cervejinha depois do trampo, de rir, daquela enroladinha básica. Imagina só tudo isso numa sexta depois do carnaval. ;p ebulições ( ) Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006 Por causa de uma moça ali, entrei no ritmo anti-sedentário. Haja suor, macha véa! Ierr!
ebulições ( ) Segunda-feira, Janeiro 23, 2006 Fórum. 11 da manhã.
- A minha folha corrida, por favor? E no guichê, disse a moça com o cão nos olhos: - Minha filha, não se chama folha corrida não. É certidão criminal! Fórum. 15h da tarde. - A minha folha corrida, por favor? No guichê, disse o moço, com a paciência de um touro: - Amanhã a partir das duas horas. E não perca esse papelzinho não! Porque dá mó trabalho pra procurar. Dentro daquelas salas, enfurnados durante o dia todo, todos os dias, esses homens viram animais. Ariscos e nocivos, emburrados ao último neurônio. Contudo, precisamos estar sujeitos a eles, nem que seja uma única vez. Porque só eles fazem aquilo que precisamos uma vez na vida. Se não aceitarmos o seu azedume, que se foda, fique sem o documento. Quanto mais ódio carregarem e expelirem, mais nos marcarão com sua estupidez e se darão por satisfeitos, feito cobras criadas e linguarudas. Venenoosos. ebulições ( ) Domingo, Janeiro 22, 2006 Segunda-feira, Janeiro 02, 2006 Se o choro fosse um fio de tecido qualquer, eu diria que tem se formado um engodo ali no peito que teima em não sair, apesar de tanto querermos.
ebulições ( ) Quinta-feira, Dezembro 22, 2005 Sábado, Dezembro 10, 2005 Tô lá em cima, que nem balão
Tô com sorriso largo, matutão Tô pertim de tomar um porre Porque quarta é um dia nobre E como diz a música, é pra beber, negão! ebulições ( ) Segunda-feira, Novembro 21, 2005 Estou de azul falante novo.
Muito antes de uma pessoa acolá, que precisa mais do que nunca e mais do que eu, trocar o amerelo por uma cor que funcione. ebulições ( ) Quarta-feira, Outubro 26, 2005 Aos companheiros Down.
O ônibus abriu a porta da frente, por onde eles e suas mães subiram antes dos demais passageiros. O horário era mais ou menos 13h, como o de costume. Os meninos foram todos sentados com suas mães do lado, a protegê-los, a acompanhá-los, até a APAE. Diria que as mães dos meninos com síndrome de Down irradiam uma luz diferente - os espíritas que me expliquem. Ao meu ver, elas elevam cuidado, paciência e resignação à enésima potência. É praticamente impossível olhar para uma delas e não ver estampado no rosto algo assim: "não é fácil, mas eu cuido dele, viu?". Mesmo que esse "viu?" venha seguido de um olhar distanciado, atravessado, como se quisesse fugir dali, desviando o olhar de quem lhe olha, até do próprio filho. Pois bem, eu estava cercada de meninos Down. Sentei ao lado de uma menininha de cabelo curto, gigolete colorido, bolsa vermelha no colo. Ela apoiava o pé esquerdo no ferro que tinha entre a parte lateral do ônibus e a cadeira da frente. Calma, olhar perdido, vez por outra ajeitava o cabelo e fungava, levando a mão ao nariz e aos olhos. Cheguei a pensar que estivesse chorando, mas depois, não, é só alguma irritação nasal mesmo. Não sabia quem era a sua mãe, se a que estava na nossa frente ou atrás. Na nossa frente, estavam sentados um menino e a mãe dele. Menino esperto, ativo e sorridente. Era carequinha e usava boné. Atento ao que se passava dentro e fora do ônibus, fazia sinais com as mãos e alguns balbúcios indecifráveis. Sua mãe, calma, calada. De vez em quando, o menino a puxava e estalava um beijo no rosto dela. Ela, quase imóvel. Mal correspondia, quase ignorava. Só a vi falar quando um moço que estava na sua frente puxou papo. Ação que o menino olhou atentamente. Mal sabendo que era ele o assunto. Atrás de nós, haviam mais duas mães e mais dois meninos Down. Uma menina e um menino. Pouco pude observá-los, pois minha visão não os abarcava. Mas ainda vi a menininha, que usava óculos, tinha o cabelo preso e foi silenciosa durante todo o percurso. Do menino, ouvi a voz, misturada a da sua mãe, que dialogava com a outra. Em um momento, esse diálogo foi interrompido com um súbito cutucão no ombro da menina que estava ao meu lado. "Tá gripada, é?", disse a mãe dela com voz alterada. Respondeu a menina, de imediato, do susto talvez: "Tô não". A mãe, indignada: "E por que tu tá chorando?". A menina ficou calada. E a mãe voltou a conversar. Ainda surpresa com a situação, congelei, naquela hora, as imagens que descrevo agora. Precisava botá-las pra fora, como agora faço. Foi um pedido, um clamor pra escrever esse testemunho que queria explodir, como resposta ao "viu?", de que já falei, e para dar voz aos excepcionais. E digo: ainda vi a menininha de gigolete colorido, depois de enxugar o rosto, tirar sua garrafinha de suco da bolsa e dar um gole no líqüido sabor goiaba. Quem sabe o seu grito de liberdade, a metáfora da sua individualidade. ebulições ( ) Terça-feira, Outubro 11, 2005 - Meu quarto agora é mistura de clássico e popular.
- Estão me perguntando se é hora de virar gente grande. - Os gatos são impecáveis. Quando querem, parecem estátuas manhosas que te encaram e te deixam sem jeito. - Já repararam na ordem de abrir seus emails? A minha tem sido assim: monografia, amor, amigos... - A pentelhice da criança é intrigante. E a doçura dela também. ebulições ( ) Quarta-feira, Outubro 05, 2005 Em tempo! Extra, extra! Acabo de ver uma cola de um autor em outro. Cola mesmo, ipsi literis! O famoso Ctrl c + Ctrl v. Pela data, claro, percebe-se que o livro mais antigo é o original. Um é de 2003 e o outro de 1994. Se o autor que colou - não quero citar o nome - não usou aspas pensando que ninguém fosse descobrir, enganou-se. A monografanda aqui pode provar a fraude. Mesmo depois de alguns aninhos.
Enquanto sofremos para sermos originais, dentro das grades da ABNT, tem neguim doutor aí copiando pedaços dos outros. Vou te contar, viu... Hum! ebulições ( ) Segunda-feira, Setembro 26, 2005 É pedalar, com aventuras e desventuras. O negócio é pedalar. Como disse uma pessoa: "vou ali, sofrer um poquim".
ebulições ( ) Sábado, Setembro 24, 2005 Segunda-feira, Agosto 22, 2005 |